Opiniões, debates e posições. Direto da terra dos sonhos…e da rapadura

Cultura

Série ‘Era das Utopias’- 01. Novas Utopias – O Futuro Nos Espera

Compartilhar

 

“O que nós queremos de fato é que as idéias voltem a ser perigosas” – Escrito num muro de Paris, 1964

O Manifesto Rapadura à partir de hoje vai reproduzir a ‘Era das Utopias’. Trata-se de uma minissérie de seis episódios divididos em três temas: ‘Utopia Socialista’, ‘Utopia Capitalista’ e ‘Novas Utopias’.

‘Qual sua utopia?’ é a pergunta que vai guiar a nova minissérie da TV Brasil, dirigida pelo cineasta Silvio Tendler.

“O que nós queremos de fato é que as idéias voltem a ser perigosas” – Escrito num muro de Paris, 1964

Comentários TV Brasil: Utopia. O substantivo vem das palavras gregas ou e topos, que significam sem lugar. Refere-se a um lugar ou posição ideal, ainda não atingido.
Sonho impossível de realizar.
Ideal inatingível.

“Eu sempre trabalhei muito na questão das ideologias. São vinte anos de pesquisa em torno destas questões ideológicas que pautaram minha geração” – Silvio Tendler

A utopia pela igualdade entre os homens inspirou gerações. O mundo soviético inspirou os sonhadores. Com o fim da II Guerra Mundial, os Estados Unidos são a potência emergente. O american way of life passa a ser o modelo de civilização, quase uma norma. O mundo assiste a um confronto cultural, social, religioso, político e ideológico.

Os primeiros capítulos tratam do surgimento da utopia socialista e todas as suas conseqüências durante o século XX. Já os capítulos referentes à utopia capitalista mostrarão a derrocada do Socialismo com a queda do muro de Berlim, em 1989; os desdobramentos gerados e, tantos outros fatos que nos levaram às novas utopias, derivadas do conflito entre novas tecnologias e velhas mazelas. Para Tendler, a luta das atuais gerações é a preservação do planeta. “Salvar o planeta dos danos causados pela utopia capitalista e pela utopia comunista é a nova utopia”, afirma o diretor.

Compartilhar

Rememoria- Livros: Interpretações e significados do poder

Compartilhar

Faça do livro seu farol, do conhecimento adquirido sua trilha e assim poderás escolher com segurança a estrada a percorrer.”

Hoje, 29, Dia Nacional do Livro, fui buscar nos arquivos do Manifesto Rapadura um artigo que fala da importância da leitura. A época, em 2012, relacionei, pelas circunstâncias, acontecimentos daquele período, mas que ao rememorar, avalio que são bastante atuais. Boa leitura e boas reflexões!

Escrito em 26/09/2012- Por Samuel Santos

“Na crônica semanal para o blog Manifesto Rapadura optei por abordar um tema importante: O livro. Mesmo não sendo lembrada e dada a devida relevância, ao menos aqui em Santo Antônio da Patrulha, vivemos a Semana Internacional do Livro. Um momento tão importante quanto outros tantos como, por exemplo, a Semana Farroupilha comemorada à poucos dias. Cada uma das citadas semanas possui seus fatores motivacionais, vieses e  grau de importância no contexto social. Claro, aqui para nós gaúchos, dentro do nosso bairrismo insurgente, a questão Farroupilha faz enaltecer nossos brios.  A história da “revolução” farroupilha na maioria dos livros é contada pela metade ou apenas a verdade que interessa para alguns.

Calma, que fique bem claro, não sou contra as comemorações da semana farroupilha, tão pouco contra o tradicionalismo. Ressalto a importância destes movimentos. Apenas usei deste contexto para ressaltar que histórias podem ser contadas, nos livros e outros meios, com “meias verdades”, ou apenas sob a ótica dos “vencedores”. Mas não é foco neste espaço abordar a  Revolução Farroupilha como uma verdadeira revolução. Quero aqui problematizar sobre a importância dos livros na nossa formação cidadã, já que vivemos num contexto onde a detenção e o acumulo do conhecimento é sinônimo de poder.

Para falar de conhecimento em especial da importância do livro teríamos que nos remotar à escrita cuneiforme feita pelos assírios e babilônios e ao Código de Hamurabi (conjunto de leis transcrito em 1694 a.C.). Também nos reportarmos(ler), segundo alguns, ao primeiro livro a ser configurado de tal forma  com tipos móveis, com capa e encadernado, publicado em 1454 na Alemanha: a Bíblia de 42 linhas de Gutenberg (1397 – 1468). Outros defendem que   a história do livro inicia-se na China. Afirmam que os chineses  teriam inventado um tipo móvel, 400 anos antes de Gutenberg, entre 1041 e 1049.  Pi Shêng seria o escritor que teria inventado o livro  utilizando argila cozida para fabricá-lo. Em qual destas verdades acreditamos?

Resolvi narrar um pouco desta história, que está nos livros, no entanto, controversa,  para que possamos entender que há diversas formas de se contar as “verdades”. E para além das diversas formas contadas, escritas e narradas, entre o livro e o leitor, existem os autores. Independente do conteúdo, romance, ficção, relato de uma história, o livro  relata nada mais do que o sentimento do autor e seu modo de ver e sentir sobre determinada situação, ação e reação em determinado espaço de tempo. Sabemos que todos possuímos nossos vínculos, nossas “afeições”, temos nossas preferências e ideologias. O autor de um livro, artigo, peça de teatro, tele novela, etc. transfere para sua criação aquilo que convém, ou seja, o que melhor se adéqua para ocasião, segundo sua “leitura de mundo”. Complexo não? (darei exemplo no próximo parágrafo).

O conhecimento, que pode ser transmitido de várias formas não só através da literatura, mas principalmente através dos livros, pode ter diversas formas de interpretação. O que dizer de Monteiro Lobato  tido como um dos “maiores escritores brasileiros”, estar sendo processado  por racismo em suas obras?(mais detalhes em Carta capital). Obras estas que fazem parte da formação infanto juvenil, pois estão no conteúdo do Programa Nacional Biblioteca da Escola, que distribui milhões de livros a escolas públicas. Será que as “Crianças e jovens que lêem “Caçadas de Pedrinho” ou outras obras lobatianas, tem a dimensão sobre as questões étnicas raciais? Leitores sentem-se ofendidos quando lêem as histórias do Sítio?”, diz Marisa Lajolo, professora da USP e especialista em Monteiro Lobato em entrevista a Revista Carta Capital. Aqui, mesmo controversa, sentimos que a literatura toca nos brios, cria tensões, inquietudes e moves com os seres da sua “zona de conforto”. Qual o seu sentimento ao ler que a “Tia Nastácia” é  retratada como “macaca de carvão” na obra de Lobato?

O livro, querendo ou não, para o bem ou para o mau, acaba diferenciando o senso das pessoas. Não se trata apenas de elevar o nível intelectual, mas sim de compreender a realidade, os entorno e as essências dos projetos de sociedade que a nós é imposto.

Vivemos tempos de efervescência das redes sociais aqui no Brasil onde vejo muitas pessoas “curtir” absurdos e compartilharem  coisas vazias, sem sentido algum. A grande maioria ocupa seu tempo com promiscuidades que pouco irá contribuir para sua formação. Dito isso, tive a oportunidade de fazer meu estágio em Desenvolvimento Rural na França. Tive vivencias com muitas famílias por lá. Constatei que na grande maioria possuíam bibliotecas particulares. Percebi que o tempo dedicado a TV, a internet, as redes sociais era restrito. Restrito não por imposição, mas por opção. O tempo era empregado em leitura. Continuo me comunicando com um amigo Frances chamado Didier Brosan e vejam o que ele me responde num email referente à um convite que eu fizera para as redes sociais:“J‘ai bien reçu tes propositions de Facebook et Linkelde mais je ne suis pas adepte des réseaux sociaux et ne souhaite pas y consacrer du temps”.Traduzindo: “Recebi suas propostas de LinkedIn e Facebook mas eu não sou um fã de redes sociais e não quero gastar tempo.”

Não percamos nosso tempo. E ao contrário do que muitos pensam a leitura não é necessidade apenas nos bancos escolares e nos meios acadêmicos. Assim como existem as controvérsias sobre a existência do livro, e acerca da sua “paternidade” a leitura nos instiga a questionar a “nossa existência” e o contexto de onde vivemos em fim tudo a nossa volta.

Precisamos compreender e conhecer todas as “faces da verdade”. Não podemos permitir a simplificação de nossa formação, nosso  conteúdo crítico apenas com “informações” à partir de veículos de imprensa. Não quero diminuir a importância de tais veículos, pois são importantes para que possamos contrapor nossas opiniões. Mas é inadmissível que exerçamos nossa cidadania baseados em visões pela metade, com fins comerciais, recheadas de má intenção, reduzindo e até mesmo omitindo as verdades.

Como já diz aquele velho dito popular: “podem me tirar tudo, mas não conseguirão tirar o meu conhecimento”. Então vamos fazer de cada dia, de cada semana, de cada tempo livre: “O dia do livro”,  “A semana da leitura”, “O tempo do conhecimento” e assim possamos contar as nossas próprias verdades.

Ler nos faz compreender o ponto onde estamos e como chegamos até ele. Ajuda-nos a construir o caminho por onde queremos seguir. Faz-nos questionar o caminho que os autores, através de suas obras, livros, revistas,  jornais, e TV’s insinuam como “luz a ser seguida”. Faça do livro seu farol, do conhecimento adquirido sua trilha e assim poderás escolher com segurança a estrada a percorrer.”

Compartilhar

Para alimentar-se (e viver ) bem.

Compartilhar

Festival Internacional de Cinema e Alimentação expõe emergência do filme-comida e mostra como plantar, cozinhar e comer constituem outra forma de estar no mundo

Por Julicristie M. Oliveira*

Durante quatro dias de setembro, Pirenópolis, no entorno de Brasília, sediou o 6º Slow Filme – o Festival Internacional de Cinema e Alimentação. Em meio a cachoeiras e ao cerrado, foram exibidos gratuitamente, no simpático Cine Pireneus, 19 títulos nacionais e internacionais. Organizado pela Objeto Sim e outros parceiros, o festival foi marcado, também, por degustações e oficinas paralelas.

Somos o que comemos e vivemos....

Somos o que comemos e vivemos….

Na abertura, foram apresentados dois documentários que discutiam sabores e saberes tradicionais do Brasil. Um deles, Engenhos da Cultura – Teias Agroecológicas, de Gabriella Pieroni e Fernando Angeoletto, trata do movimento de agricultore(a)s e militantes no processo do registro, recuperação e manutenção dos engenhos de farinha de mandioca, em Santa Catarina. Há destaque para a qualidade do produto, especialmente na elaboração do pirão, a importância da rede de apoio social que é mantida entre o(a)s agricultore(a)s, a viabilidade econômica e o papel na Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. O documentário é muito interessante e está disponívelno Vimeo.

Outro documentário que fez parte da programação e merece destaque é O produtor de chocolate, de Rohan Fernando, filme canadense que registra a história de vida de um produtor de cacau do Belize, o Eladio, e suas relações profissionais e familiares. Os dilemas e os conflitos quanto à manutenção dos conhecimentos agrícolas ancestrais (maias) e o uso de tecnologias, como os agrotóxicos, ficam evidentes. Despontam também, no desenrolar do filme, os conflitos intergeracionais, as questões de gênero e a desagregação das relações de cooperação da comunidade. A beleza da história, porém, reside no sentimento de conexão com a natureza, o cultivo e o cacau expressos por Eladio.

Em Cultivando as Cidades – Hortas e Canteiros Urbanos, de Dan Susman, várias experiências de hortas urbanas e comunitárias são vistas e debatidas em um estilo bem americano de produção de documentário. Apesar de mostrar apenas as possibilidades e vantagens da agricultura urbana, foi interessante entrar em contato com uma diversidade tão grande de projetos e objetivos. Senti falta de uma discussão sobre áreas onde o cultivo estaria limitado em decorrência da poluição do ar, solo e água, bem como dos entraves que geram a descontinuidade dos projetos.

Para mim, o prato principal do festival foi a ficção Pequena Floresta – Verão & Outono, de Jun’ichi Mori, que conta a história de Ichiko, uma jovem que vive em Komori, área rural distante de supermercados. Ichiko planta e colhe a maior parte de seus alimentos. Eventualmente, compra alguns ingredientes. Ela aproveita o que as estações, Verão & Outono, oferecem, cria estratégias de conservação e cozinha com base nos conhecimentos culinários aprendidos com sua mãe. Em muitas cenas, o presente e as memórias são intercaladas, os diálogos de infância são lembrados, matizados pelo sabor dos pratos reelaborados por Ichiko. Várias frases ditas por sua mãe ganham novamente vida no presente, como “a comida é um reflexo da mente” que reforça a importância da concentração do processo de cozinhar. Pequena Floresta é uma poesia comestível dividida em quatro estações: linda, complexa, sensível. Ainda preciso provar o Inverno & Primavera, que não foi exibido no festival.

Nos quatro filmes, ficam evidentes as conexões entre o cultivar, o cozinhar e o comer. Infelizmente, no festival não foram previstos debates após as exibições. Seria interessante ter uma chance de discuti-los, conhecer a percepção e identificar os sentimentos provocados e saboreados pelo público, do doce ao amargo.


* Professora da Faculdade de Ciêncais Aplicadas (FCA)/Unicamp

Compartilhar
Abril 2018
D S T Q Q S S
« jun    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  
Visite nossa página