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7 erros que você comete quando fala em Comunismo e Capitalismo

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Por que você está equivocado sobre o comunismo: 7 grandes erros que as pessoas cometem sobre ele –e sobre o capitalismo

7 erros comunismo capitalismo
Do Pragmatismo Politico

Por Jesse Myerson, em Salon Tradução e adaptação:Cynara Menezes

1. Somente as economias comunistas se apoiam em violência de Estado.

Obviamente, nenhum ricaço quer abrir mão de parte de sua fortuna, e qualquer tentativa de obter justiça econômica (como os impostos sobre grandes fortunas) sofrerá uma oposição ferrenha das classes mais altas. Mas a violência estatal (como a tributação) é inerente a todo conjunto de direitos sobre a propriedade que um governo pode adotar –inclusive aqueles que permitiram ao hipotético barão amealhar sua fortuna.

No capitalismo, as reivindicações de propriedade autorizam o Estado a usar a violência para excluir todos, menos um reclamante. Se eu reivindico a mansão de alguém, por mais libertário que seja, ele vai recorrer ao governo e às suas armas para me colocar no devido lugar. Ele possui aquela mansão porque o Estado diz que possui e tentará prender qualquer um que discorde. Se não houver um Estado, quem tem o poder mais violento determina quem possui as coisas, seja a máfia ou um bando de cowboys no velho Oeste. Seja por vigilantes ou pelo Estado, os direitos de propriedade se apoiam em violência.

Isto é verdadeiro para objetos pessoais e para a propriedade privada, mas é importante não confundi-los. Propriedade implica em ter um título. Quando marxistas falam em propriedade coletiva de terras ou meios de produção, estamos no campo das propriedades; quando apresentadores da Fox falam em confiscar minha gravata, estamos no campo dos objetos pessoais. O comunismo necessariamente distribui a propriedade universalmente, mas não quer tomar seu smartphone, falou?

2. As economias capitalistas são baseadas em livre comércio.

O oposto do mito do “comunismo opressivo” é o “capitalismo libertador”. A ideia de que todos estamos fazendo escolhas livres todo o tempo é claramente desmentida pela experiência de centenas de milhões de pessoas. A maioria de nós nos encontramos atrelados às pressões da competição. Estamos estressados, exaustos, sozinhos, em busca de significado para a vida –como se não estivéssemos no controle dela.

E não estamos; o mercado está. Se você não concorda, tente deixar “o mercado”.A origem do capitalismo foi tirar de camponeses britânicos o acesso à terra e com isso seus meios de subsistência, fazendo-os dependentes do mercado para sobreviver. Uma vez sem propriedades, eles eram forçados a tomar o rumo da sujeira, bebida e doenças das cidades rodeadas de miséria para vender a única coisa que tinham –sua capacidade de usar cérebros e músculos para trabalhar –ou morrer. Como eles, a maioria das pessoas hoje é privada dos recursos que necessitam para prosperar, apesar de eles existirem em abundância, e é forçada a trabalhar para um chefe que está tentando ficar rico nos pagando menos e nos fazendo trabalhar mais.

Mas mesmo este chefe (o aparente vencedor no “livre mercado”) não é livre: o mercado impõe à classe proprietária o imperativo de acumular riqueza incansavelmente ou então fracassar. Os capitalistas são compelidos a apoiar regimes opressores e a arruinar o planeta por uma questão de negócios.

O tipo particular de capitalismo dos EUA demandou exterminar todo um continente de povos indígenas e escravizar milhões de africanos sequestrados. E toda a indústria capitalista só foi possível porque mulheres brancas, consideradas propriedades de seus pais e maridos, estiveram dedicadas ao papel invisível de criar filhos e arrumar a casa sem remuneração. Três brindes ao livre comércio.

3. O comunismo matou 110 milhões* de pessoas por resistir ao fim da propriedade privada.

*Este número é um total chute

Greg Gutfeld, um dos apresentadores da Fox News, recentemente disse que “somente a ameaça de morte pode sustentar o sonho de esquerda, porque ninguém em sã consciência se alistaria voluntariamente em uma porcaria dessas. Portanto, 110 milhões de mortos”.  Ao dizer isso, Gutfeld e sua laia insultam o sofrimento de milhões de pessoas que morreram sob Stalin, Mao e outros ditadores comunistas do século 20. Pegar um número grande de mortos e atribuir suas mortes a algum abstrato “comunismo” não é uma maneira de mostrar preocupação humanista com vítimas de atentados aos direitos humanos.

Uma grande parcela das pessoas que morreram sob o comunismo soviético não eram os kulaks (camponeses ricos) com quem a direita quer se preocupar, maseram, eles mesmos, comunistas. Stalin, na sua crueldade paranoica, não somente executou líderes revolucionários russos, mas também exterminou partidos comunistas inteiros. Estas pessoas não estavam resistindo a ter sua propriedade coletivizada; eles estavam comprometidos com a coletivização de propriedades. Também é bom lembrar que os soviéticos tiveram que lutar uma guerra revolucionária –contra, entre outros, os EUA– que, como a revolução americana mostra, não se consiste majoritariamente em abraços grupais. Eles também enfrentaram (e historicamente derrotaram) os nazistas, que não estavam do outro lado do oceano, mas bem à sua porta.

Chega de URSS. O episódio mais horrível no comunismo oficial do século 20 foi aGrande Fome Chinesa, cujas mortes são difíceis de precisar, mas certamente foram dezenas de milhões. Muitos fatores evidentemente contribuíram para esta atrocidade, mas o principal foi o “Grande Salto Adiante” de Mao, uma combinação desastrosa de pseudociência aplicada e perseguição política pensada para transformar a China em uma superpotência industrial num piscar de olhos. Os resultados da experiência foram extremamente cruéis, mas dizer que as vítimas morreram porque, em são consciência, não quiseram ser voluntários de um “sonho de esquerda” é ridículo. A fome não é um problema unicamente da esquerda.

4. Governos capitalistas não cometem atentados aos direitos humanos.

Seja qual for a avaliação dos crimes cometidos pelos líderes comunistas, não é esperto por parte dos fãs do capitalismo brincar de contar corpos, porque se pessoas como eu têm de explicar os gulags e a Campanha das Quatro Pragas, eles precisam explicar o comércio de escravos, o extermínio indígena, os holocaustos do fim da era vitoriana e toda guerra, genocídio e massacres promovidos pelos EUA no esforço de combater o comunismo. Já que os pró-capitalistas se preocupam tão profundamente com o sofrimento das massas russas e chinesas, talvez queiram explicar os milhões de mortes resultantes da transição destes países ao capitalismo.

Deveria ser fácil perceber que o capitalismo, que glorifica o rápido crescimento em meio à competição cruel, iria produzir grandes atos de violência e privação, mas de alguma forma seus defensores estão convencidos de que ele é sempre, e em toda parte, uma força impulsionadora da justiça e da liberdade. Deixe-os convencer as dezenas de milhões de pessoas que morrem de desnutrição todo ano porque o livre mercado é incapaz de solucionar uma situação em que metade da comida do mundo é jogada fora.

As 100 milhões de mortes que talvez sejam mais importantes de enfocar agora são aquelas que a organização de direitos humanos DARA projeta que irão ocorrer por causa do clima entre 2012 e 2030. Outras 100 milhões de pessoas mais irão se seguir a estas e não vão levar 18 anos para morrer. Fome como a espécie humana nunca viu está nos rondando, porque o livre mercado não regula o carbono e as empresas capitalistas de petróleo, desde o colapso da URSS, se tornaramsoberanas. Os mais virulentos anti-comunistas têm uma forma muito útil, embora moralmente vergonhosa, de tratar esse evento de extinção em massa: eles negam que esteja acontecendo.

5. O comunismo americano do século 21 iria se assemelhar aos horrores soviéticos e chineses.

Antes de suas revoluções, a Rússia e a China eram sociedades agrícolas pré-industriais, com maioria analfabeta, e cujas massas eram camponeses espalhados sobre enormes vastidões de terra. Nos EUA de hoje, robôs fazem robôs, e menos de 2% da população trabalha na agricultura. Estes dois estados de coisas são enormemente díspares. A mera evocação do passado não tem valor como argumento sobre o futuro da economia americana.

Para mim, comunismo é uma aspiração, não algo imediatamente conquistável. Isto, como a democracia e o libertarianismo, é utópico porque envolve um ideal, neste caso a não-propriedade de tudo e o tratamento de tudo –incluindo cultura, tempo das pessoas, o mero ato de cuidar, e coisas assim– de forma digna e intrinsecamente valorizada em vez de tratado como mercadorias que podem ser postas à venda. Etapas para esta condição não necessariamente incluem algo tão assustador quanto a completa e imediata abolição dos mercados (afinal, os mercados antecedem o capitalismo em vários milênios e comunistas adoram um bom mercado direto do produtor). Pelo contrário, eu defendo que podem até incluir reformas com o apoio obtido entre partidos divergentes ideologicamente.

Dados os avanços tecnológicos, materiais e sociais do último século, nós podemos esperar uma aproximação ao comunismo, aqui e agora, muito mais aberta, humana, democrática, participativa e igualitária do que as tentativas da Rússia e da China. Acho até que seria mais fácil atualmente do que antes construir o conjunto de relações sociais baseado em companheirismo e ajuda mútua (à diferença do capitalismo, que se caracteriza por competição e exclusão) que seria necessário para permitir o eventual “definhamento do Estado” que os libertários fetichizam, mas sem reproduzir a Idade Média (só que desta vez com drones e metadados).

6. O comunismo promove a uniformização.

Aparentemente, um monte de gente é incapaz de distinguir igualdade de homogeneidade. Talvez isso derive da tendência das pessoas em sociedades capitalistas de se enxergar primordialmente como consumidores: a fantasia distópica é um supermercado onde uma marca de comida fabricada pelo Estado está em todos os itens, e todos eles possuem embalagens vermelhas e letras amarelas.

Mas as pessoas fazem muito mais do que consumir. Uma coisa que fazemos enormemente é trabalhar (ou, para milhões de americanos desempregados, tentar e não conseguir). O comunismo prevê um tempo além do trabalho onde as pessoas são livres, como escreveu Marx, “para fazer uma coisa hoje e outra amanhã, caçar de manhã, pescar à tarde, cuidar do gado à noitinha, criticar depois do jantar… Sem nunca se tornar caçador, pescador pastor ou crítico”.  Deste modo, o comunismo é baseado no oposto da uniformização: uma diversidade enorme não só entre as pessoas, mas até na “ocupação” de uma única pessoa.

Muitos grandes artistas e escritores que foram marxistas sugerem que a produção de cultura em uma sociedade como essa poderia alimentar uma tremenda individualidade e oferecer formas de expressão superiores. Estes artistas e escritores pensavam o comunismo como “uma associação em que o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos”, mas você pode querer considerá-lo como uma instância real do acesso universal à vida, à liberdade e à busca da felicidade.

Você nem vai ligar para os pacotes vermelhos com letras amarelas!

7. O capitalismo promove a individualidade.

Em vez de permitir a todas as pessoas seguir seu espírito empreendedor em busca de desafios que os realizem, o capitalismo aplaude o pequeno número de empresários que conquistam largas fatias dos mercados de massa. Isto requer produzir coisas em escala, o que induz a uma dupla uniformização da sociedade: toneladas e toneladas de pessoas que compram os mesmos produtos e toneladas e toneladas de pessoas que fazem o mesmo trabalho. Uma individualidade que viceja dentro deste sistema é muitas vezes extremamente superficial.

Você já viu os condomínios que se constroem no país? Viu os cubículos cinza, banhados em luz fluorescente, em prédios de escritório tão semelhantes entre si que deixam a gente desorientado? Já viram as lojinhas e as áreas de serviço e os seriados da TV? A possibilidade de adquirir produtos de firmas capitalistas concorrentes não produziu uma sociedade interessante e variada.

Em realidade, a maior parte da arte aparecida sob o capitalismo veio de gente que foi oprimida e marginalizada (exemplos: blues, jazz, rock & roll e hip-hop). E então, graças ao capitalismo, é homogeneizada, comercializada e explorada em todo o seu valor por “empreendedores” sentados no topo da pilha, acariciando a pança e admirando a si mesmos por fazer todos abaixo deles acreditarem que somos livres.

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Rememoria- Livros: Interpretações e significados do poder

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Faça do livro seu farol, do conhecimento adquirido sua trilha e assim poderás escolher com segurança a estrada a percorrer.”

Hoje, 29, Dia Nacional do Livro, fui buscar nos arquivos do Manifesto Rapadura um artigo que fala da importância da leitura. A época, em 2012, relacionei, pelas circunstâncias, acontecimentos daquele período, mas que ao rememorar, avalio que são bastante atuais. Boa leitura e boas reflexões!

Escrito em 26/09/2012- Por Samuel Santos

“Na crônica semanal para o blog Manifesto Rapadura optei por abordar um tema importante: O livro. Mesmo não sendo lembrada e dada a devida relevância, ao menos aqui em Santo Antônio da Patrulha, vivemos a Semana Internacional do Livro. Um momento tão importante quanto outros tantos como, por exemplo, a Semana Farroupilha comemorada à poucos dias. Cada uma das citadas semanas possui seus fatores motivacionais, vieses e  grau de importância no contexto social. Claro, aqui para nós gaúchos, dentro do nosso bairrismo insurgente, a questão Farroupilha faz enaltecer nossos brios.  A história da “revolução” farroupilha na maioria dos livros é contada pela metade ou apenas a verdade que interessa para alguns.

Calma, que fique bem claro, não sou contra as comemorações da semana farroupilha, tão pouco contra o tradicionalismo. Ressalto a importância destes movimentos. Apenas usei deste contexto para ressaltar que histórias podem ser contadas, nos livros e outros meios, com “meias verdades”, ou apenas sob a ótica dos “vencedores”. Mas não é foco neste espaço abordar a  Revolução Farroupilha como uma verdadeira revolução. Quero aqui problematizar sobre a importância dos livros na nossa formação cidadã, já que vivemos num contexto onde a detenção e o acumulo do conhecimento é sinônimo de poder.

Para falar de conhecimento em especial da importância do livro teríamos que nos remotar à escrita cuneiforme feita pelos assírios e babilônios e ao Código de Hamurabi (conjunto de leis transcrito em 1694 a.C.). Também nos reportarmos(ler), segundo alguns, ao primeiro livro a ser configurado de tal forma  com tipos móveis, com capa e encadernado, publicado em 1454 na Alemanha: a Bíblia de 42 linhas de Gutenberg (1397 – 1468). Outros defendem que   a história do livro inicia-se na China. Afirmam que os chineses  teriam inventado um tipo móvel, 400 anos antes de Gutenberg, entre 1041 e 1049.  Pi Shêng seria o escritor que teria inventado o livro  utilizando argila cozida para fabricá-lo. Em qual destas verdades acreditamos?

Resolvi narrar um pouco desta história, que está nos livros, no entanto, controversa,  para que possamos entender que há diversas formas de se contar as “verdades”. E para além das diversas formas contadas, escritas e narradas, entre o livro e o leitor, existem os autores. Independente do conteúdo, romance, ficção, relato de uma história, o livro  relata nada mais do que o sentimento do autor e seu modo de ver e sentir sobre determinada situação, ação e reação em determinado espaço de tempo. Sabemos que todos possuímos nossos vínculos, nossas “afeições”, temos nossas preferências e ideologias. O autor de um livro, artigo, peça de teatro, tele novela, etc. transfere para sua criação aquilo que convém, ou seja, o que melhor se adéqua para ocasião, segundo sua “leitura de mundo”. Complexo não? (darei exemplo no próximo parágrafo).

O conhecimento, que pode ser transmitido de várias formas não só através da literatura, mas principalmente através dos livros, pode ter diversas formas de interpretação. O que dizer de Monteiro Lobato  tido como um dos “maiores escritores brasileiros”, estar sendo processado  por racismo em suas obras?(mais detalhes em Carta capital). Obras estas que fazem parte da formação infanto juvenil, pois estão no conteúdo do Programa Nacional Biblioteca da Escola, que distribui milhões de livros a escolas públicas. Será que as “Crianças e jovens que lêem “Caçadas de Pedrinho” ou outras obras lobatianas, tem a dimensão sobre as questões étnicas raciais? Leitores sentem-se ofendidos quando lêem as histórias do Sítio?”, diz Marisa Lajolo, professora da USP e especialista em Monteiro Lobato em entrevista a Revista Carta Capital. Aqui, mesmo controversa, sentimos que a literatura toca nos brios, cria tensões, inquietudes e moves com os seres da sua “zona de conforto”. Qual o seu sentimento ao ler que a “Tia Nastácia” é  retratada como “macaca de carvão” na obra de Lobato?

O livro, querendo ou não, para o bem ou para o mau, acaba diferenciando o senso das pessoas. Não se trata apenas de elevar o nível intelectual, mas sim de compreender a realidade, os entorno e as essências dos projetos de sociedade que a nós é imposto.

Vivemos tempos de efervescência das redes sociais aqui no Brasil onde vejo muitas pessoas “curtir” absurdos e compartilharem  coisas vazias, sem sentido algum. A grande maioria ocupa seu tempo com promiscuidades que pouco irá contribuir para sua formação. Dito isso, tive a oportunidade de fazer meu estágio em Desenvolvimento Rural na França. Tive vivencias com muitas famílias por lá. Constatei que na grande maioria possuíam bibliotecas particulares. Percebi que o tempo dedicado a TV, a internet, as redes sociais era restrito. Restrito não por imposição, mas por opção. O tempo era empregado em leitura. Continuo me comunicando com um amigo Frances chamado Didier Brosan e vejam o que ele me responde num email referente à um convite que eu fizera para as redes sociais:“J‘ai bien reçu tes propositions de Facebook et Linkelde mais je ne suis pas adepte des réseaux sociaux et ne souhaite pas y consacrer du temps”.Traduzindo: “Recebi suas propostas de LinkedIn e Facebook mas eu não sou um fã de redes sociais e não quero gastar tempo.”

Não percamos nosso tempo. E ao contrário do que muitos pensam a leitura não é necessidade apenas nos bancos escolares e nos meios acadêmicos. Assim como existem as controvérsias sobre a existência do livro, e acerca da sua “paternidade” a leitura nos instiga a questionar a “nossa existência” e o contexto de onde vivemos em fim tudo a nossa volta.

Precisamos compreender e conhecer todas as “faces da verdade”. Não podemos permitir a simplificação de nossa formação, nosso  conteúdo crítico apenas com “informações” à partir de veículos de imprensa. Não quero diminuir a importância de tais veículos, pois são importantes para que possamos contrapor nossas opiniões. Mas é inadmissível que exerçamos nossa cidadania baseados em visões pela metade, com fins comerciais, recheadas de má intenção, reduzindo e até mesmo omitindo as verdades.

Como já diz aquele velho dito popular: “podem me tirar tudo, mas não conseguirão tirar o meu conhecimento”. Então vamos fazer de cada dia, de cada semana, de cada tempo livre: “O dia do livro”,  “A semana da leitura”, “O tempo do conhecimento” e assim possamos contar as nossas próprias verdades.

Ler nos faz compreender o ponto onde estamos e como chegamos até ele. Ajuda-nos a construir o caminho por onde queremos seguir. Faz-nos questionar o caminho que os autores, através de suas obras, livros, revistas,  jornais, e TV’s insinuam como “luz a ser seguida”. Faça do livro seu farol, do conhecimento adquirido sua trilha e assim poderás escolher com segurança a estrada a percorrer.”

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Quadrinho didático desconstrói falácia da ‘meritocracia’

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Meritocracia? De forma quase didática, um ilustrador australiano resumiu bem como a ideia de que as pessoas têm as mesmas oportunidades não é verdadeira

Fonte: Revista Fórum

Meritocracia mito Brasil oportunidade quadrinho

Revista Fórum

É muito comum no Brasil, principalmente depois da ascensão de parte da população com os programas de transferência de renda do governo, algumas pessoas recorrerem ao conceito de “meritocracia”.

Essa ideia é, normalmente, utilizada para criticar as medidas sociais usando a justificativa de que todos têm as mesmas oportunidades e que o mérito verdadeiro – o sucesso profissional, por exemplo – depende unica e exclusivamente do esforço individual.

De modo simples e quase didático, o ilustrador australiano Toby Morris consegue desconstruir esse conceito. Por meio de duas histórias distintas, em um quadrinho intitulado “On a Plate” [em português, De Bandeja], Morris resume bem a condição a que muitos estão submetidos e expõe os privilégios que os defensores da meritocracia carregam consigo e não enxergam.

Confira a versão com a tradução livre feita pelo Catavento.

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Para alimentar-se (e viver ) bem.

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Festival Internacional de Cinema e Alimentação expõe emergência do filme-comida e mostra como plantar, cozinhar e comer constituem outra forma de estar no mundo

Por Julicristie M. Oliveira*

Durante quatro dias de setembro, Pirenópolis, no entorno de Brasília, sediou o 6º Slow Filme – o Festival Internacional de Cinema e Alimentação. Em meio a cachoeiras e ao cerrado, foram exibidos gratuitamente, no simpático Cine Pireneus, 19 títulos nacionais e internacionais. Organizado pela Objeto Sim e outros parceiros, o festival foi marcado, também, por degustações e oficinas paralelas.

Somos o que comemos e vivemos....

Somos o que comemos e vivemos….

Na abertura, foram apresentados dois documentários que discutiam sabores e saberes tradicionais do Brasil. Um deles, Engenhos da Cultura – Teias Agroecológicas, de Gabriella Pieroni e Fernando Angeoletto, trata do movimento de agricultore(a)s e militantes no processo do registro, recuperação e manutenção dos engenhos de farinha de mandioca, em Santa Catarina. Há destaque para a qualidade do produto, especialmente na elaboração do pirão, a importância da rede de apoio social que é mantida entre o(a)s agricultore(a)s, a viabilidade econômica e o papel na Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. O documentário é muito interessante e está disponívelno Vimeo.

Outro documentário que fez parte da programação e merece destaque é O produtor de chocolate, de Rohan Fernando, filme canadense que registra a história de vida de um produtor de cacau do Belize, o Eladio, e suas relações profissionais e familiares. Os dilemas e os conflitos quanto à manutenção dos conhecimentos agrícolas ancestrais (maias) e o uso de tecnologias, como os agrotóxicos, ficam evidentes. Despontam também, no desenrolar do filme, os conflitos intergeracionais, as questões de gênero e a desagregação das relações de cooperação da comunidade. A beleza da história, porém, reside no sentimento de conexão com a natureza, o cultivo e o cacau expressos por Eladio.

Em Cultivando as Cidades – Hortas e Canteiros Urbanos, de Dan Susman, várias experiências de hortas urbanas e comunitárias são vistas e debatidas em um estilo bem americano de produção de documentário. Apesar de mostrar apenas as possibilidades e vantagens da agricultura urbana, foi interessante entrar em contato com uma diversidade tão grande de projetos e objetivos. Senti falta de uma discussão sobre áreas onde o cultivo estaria limitado em decorrência da poluição do ar, solo e água, bem como dos entraves que geram a descontinuidade dos projetos.

Para mim, o prato principal do festival foi a ficção Pequena Floresta – Verão & Outono, de Jun’ichi Mori, que conta a história de Ichiko, uma jovem que vive em Komori, área rural distante de supermercados. Ichiko planta e colhe a maior parte de seus alimentos. Eventualmente, compra alguns ingredientes. Ela aproveita o que as estações, Verão & Outono, oferecem, cria estratégias de conservação e cozinha com base nos conhecimentos culinários aprendidos com sua mãe. Em muitas cenas, o presente e as memórias são intercaladas, os diálogos de infância são lembrados, matizados pelo sabor dos pratos reelaborados por Ichiko. Várias frases ditas por sua mãe ganham novamente vida no presente, como “a comida é um reflexo da mente” que reforça a importância da concentração do processo de cozinhar. Pequena Floresta é uma poesia comestível dividida em quatro estações: linda, complexa, sensível. Ainda preciso provar o Inverno & Primavera, que não foi exibido no festival.

Nos quatro filmes, ficam evidentes as conexões entre o cultivar, o cozinhar e o comer. Infelizmente, no festival não foram previstos debates após as exibições. Seria interessante ter uma chance de discuti-los, conhecer a percepção e identificar os sentimentos provocados e saboreados pelo público, do doce ao amargo.


* Professora da Faculdade de Ciêncais Aplicadas (FCA)/Unicamp

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Caos – Comoção- Necessidade de retomada de consciência

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Passei a semana me questionando qual o tema a escrever nesta volta do Manifesto Rapadura. Muitas ideias vieram, mas que ficarão para as próximas semanas, pois a perdas causadas pelos temporais não poderiam ficar fora desta reflexão.

Foto do Filme "Godzilla"

Foto do Filme “Godzilla”

Não vivi muitas estações, mas conversando com aqueles que já passaram por tantas primaveras vem a constatação que as coisas mudaram. “Nunca passamos  por isso.” “ Nunca tinha visto nada parecido”…e por ai vai.

Para os otimistas de plantão ou até mesmo aqueles que intencionalmente dizem: “que isso sempre aconteceu” e que “são fenômenos corriqueiros”- trata-se de questões naturais. O fato é que as perdas, as mais urgentes e as mais perceptíveis, felizmente ou infelizmente são materiais. Telhas quebradas, móveis danificados, plantações perdidas, etc.

A solidariedade é algo comovente. Mobilizações e campanhas emergem nos seres humanos sentimentos abstratos de compaixão, afeto, gratidão e amor ao próximo. Emocionante. Mas é muito pouco. A maioria das ações resolvem ou amenizam num curtíssimo prazo. Os locais mais atingidos e as perdas são maiores em regiões periféricas, de menor distribuição de renda, em fim, pros mais vulneráveis.

Para além das questões financeiras, das perdas pontuais precisamos nos ater as nossas práticas de consumo que ficam longe do nosso senso e da nossa consciência. Tudo que estamos vivenciando  são reflexos ou fazem parte de um modelo de sociedade que a cada dia dá seus sinais, como o que aconteceu aqui. Isso deixa claro, e é só refletir um pouquinho, que este modelo está falido.

Precisamos compreender  que temos um modelo de desenvolvimento que é extremamente imediatista, consumista, individualista que tem como seu fim apenas as questões econômicas. Gerar riqueza à todo e qualquer custo. É claro que só há riqueza gerando pobreza. Vide notícias do oportunismo em aumentar valores de telhas e lonas em momentos críticos, como o que passamos. “Precisamos” e somos “forçados” a sustentar um sistema descartável, impessoal, destrutivo e explorador.  A nossa comoção passará. Por isso é preciso uma reflexão mais profunda, para que o caos não se naturalize, pois há motivações e respostas para estes sinistros, cada vez mais frequentes e arrasadores, mas que não são vistos tão facilmente.

Na agricultura os agricultores são forçados, inclusive por algumas politicas de Estado, a consumirem. Consomem pacotes tecnológicos, geralmente com “funcionalidade casada” (sementes e insumos) e até induzidos ao consumo de equipamentos supérfluos, como tratores com grande potência, mas que ficam grande parte do tempo guardado e sem uso.  As terras deixam de serem símbolos de reprodução social e ambiental para apenas fins econômicos.  Se é pouca área, amplia-se as fronteiras produtivas a custo dos desmates, mudanças de córregos, rios,  subtração de fauna e flora, etc.

Nesta lógica perversa, sendo a questões reduzidas a apenas produção e econômica, se faz necessária a alta tecnologia. Reflexo disso é o que apontam pesquisas da ABRASCO- Associação Brasileira de Saúde Coletiva– revela que se somados todos os litros de agrotóxicos, pesticidas e fungicidas  comercializados (legalmente)e dividirmos pelo número de habitantes, indiretamente, cada um de nós brasileiros, ingerimos anualmente cerca de 6, 1 litros de veneno… Isso mesmo: 6,1 litros de VENENO!!!

O Brasil passou a ser destinação de insumos e sementes proibidas em vários países do mundo. Não serve mais lá: os brasileiros consomem. Estudo realizado pela Universidade Francesa e publicados pela revista “Food and Chemical Toxicology”  apresentas resultados alarmantes. Ratos que consumiram sementes transgênicas de milho de determinada marca( já proibida a comercialização em países da Europa) apontam para uma mortalidade assustadora. Motivo: CANCER. Mas a semente é cancerígena? Sim. Por ser modificada geneticamente ela recebe um “gen” de um herbicida (veneno) que após o plantio deixa a planta resistente ao próprio herbicida. Porque? Na da “limpeza” da lavoura, com a justificativa de facilidade, será “consumido” o próprio herbicida de uma grande corporação. Pasmem, ainda são cobrados Royalties, ou seja, agricultores tem que pagar “direitos” para usarem esta “tecnologia”. Bem, se a semente é cancerígena o produto final fruto dos “casamentos” também serão. Lembram-se daqueles pacotes descritos a cima? São só econômicos. A saúde de quem consome? Os animais que se alimentam nas lavouras? Os animais que são alimentados pra darem sequência na nossa cadeia alimentar? Os impactos nos solos? Os impactos nos lençóis freáticos? Os nossos rios? As nossas nascentes d’agua?

Na cidade, não temos mais lugares para carros. Mobilidade Urbana? Não. Apenas uma politica econômica para supostamente “dar empregos”, mas que apenas serve para concentração de poder, pois alimenta uma cadeia muito maior que das montadoras de automóveis. Como andam estes carros? Combustível. De onde vem este combustível? A que preço? Quem lucra com isso? Além disso, quantas vezes já ouvimos falar em emissão de gases dos veículos? Efeito Estufa? Raios UV? Mesmo assim diminuíram a produção de carros e aumentaram as bicicletas? Aumentaram o IPI dos carros e teve promoção para compra de bicicletas? Mas tem tecnologia nos carros de ultima geração? Ah, foi um “esquecimento” daquela montadora numa peça dos catalizadores de milhões de carros por ela fabricados? E será que não há outros “esquecimentos”?

Nossas tecnologias estão cada vez mais descartáveis.  Não temos mais espaços para empilhar “velharias”, que na maioria das vezes tem poucos meses de uso.  Se continuarmos assim não teremos mais planeta de tantos bens “inúteis” comprados, consumidos e descartados. Descartados, na grande maioria das vezes, onde?

No topo da pirâmide, uma pequena minoria que lucra e investe alto em pesquisas para encontrar água em Marte, já prevendo a catástrofe aqui. No meio um número razoável que supostamente foram “inclusos”, pois aumentaram seu poder de compra, ou seja, agora são consumidores em potencial. E na parte de baixo aqueles que não tem poder de consumo são descartáveis. Moram à baixo dos níveis dos rios, suas “moradias” são frágeis e sem nenhum poder de reação, contando apenas com a solidariedade dos outros.

Dito tudo isso, encerro, reafirmando que nossa solidariedade é importante. Agora, isso, apenas, não resolverá. Precisamos entender que estamos num sistema. Nada é por caso. Tudo é pensando e articulado. Nossos bens naturais são finitos. Nesta briga existem lados. De fato, você consegue compreender em que lado deve estar?

Ou lutamos por um futuro mais digno, mais igual, mais justo, com menos consumo e mais consciência ou quem vai continuar lucrando, até não sei quando, serão as fábricas de telhas, as lojas de móveis, de eletrônicos, dos carros, dos insumos, etc. Tudo é feito pra ser consumido e descartado. Nossa vida e a natureza não são bens de consumo.

Se não haver uma retomada na nossa consciência, a ordem do consumo será restabelecida até que uma nova catástrofe aconteça e nossa comoção entre em ação novamente.

 

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