Opiniões, debates e posições. Direto da terra dos sonhos…e da rapadura

Rodrigo Portal

Belchior, Presente!

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Dia 30 de abril de 2018 fez um ano que o maior compositor/cantor/poeta desse país veio a falecer – de madrugada, anonimamente ao grande público local e brasileiro, era Antônio Carlos BELCHIOR e tantos sobrenomes que assinava ou lhe davam, a ponto de brincar que se tratava literalmente “de um dos maiores nomes da nossa MPB”. Numa manhã fria de fim de abril, seu coração parava de bater por conta de um “rompimento na aorta”. Assim morria BEL, para os íntimos – em Santa Cruz do Sul.

Justo Belchior, com seu “Coração Selvagem, que tinha pressa de viver”, nos deixou traído por esse coração, que pulsou intenso desde o seminário beneditino de Guaramiranga, passando pelo Bar do Anísio, em Fortaleza – chegando até os “cabarés da Lapa onde morou”, passando por São Paulo, amada em Passeio, onde “sair pela rua da Consolação, dormir no parque, em plena quarta-feira, e sonhar com o domingo em nosso coração”, a deixou menos feia. Bel, era do Brasil.

Jovem nordestino de Sobral, interior do Ceará, “apenas um rapaz Latino-Americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior”, em plena ditadura civil-militar, denunciando o preconceito no Sul, porque “em cada esquina que passava um guarda me parava, pedia os meus documentos e depois sorria, examinando o 3×4 da fotografia e estranhando o nome do lugar de onde eu vinha”. Trazia no seu cantar declamado, uma particular interpretação do Brasil, compondo grandes clássicos da nossa MPB, gravado por gigantes como Elis.

Belchior jamais se contentou com uma arte de entretenimento. Fez da sua poesia e canção, instrumento de compreensão do cotidiano, evocando grandes poetas como Dylan, sempre advertindo com toda a veemência para que “Não me peçam que eu lhe faça uma canção como se deve: Correta, branca, suave. Muito limpa, muito leve, sons, palavras são navalhas e eu não posso cantar como convém, sem querer ferir ninguém”. Pra Bel, a canção dizia.

O nosso acalento, é que Artistas com “A”, na sua mais perfeita tradução, como Belchior, jamais morrem. Se vai seu corpo, sua presença física, a possibilidade de podermos encontrá-lo a qualquer momento – não a sensação, que segue viva quando escutamos sua música, apreciamos sua arte que nos preenche. Gênios como Bel, que marcam gerações inteiras, se negam a morrer, porque seguem vivos na sua obra, a cada acorde e/ou verso. Porque “amar e mudar as coisas, nos interessa mais”.

Gracias Bel

Texto: João Paulo Reis Costa

Historiador e Monitor de Ciências Humanas e Sociais

da Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul.

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Vida pós “Golpe”

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Quase dois anos após o afastamento de Dilma Rousseff da presidência da república acusada de improbidade administrativa, as tais “pedaladas fiscais”, precisamos refletir sobre a nossa realidade, pós “Golpe político midiático”.

Embora tenha como pano de fundo as “pedaladas”, para que seu impeachment fosse concretizado na Câmara dos deputados com o voto de 367 deputados e no Senado 61 votos, o sentimento que nutria a indignação popular era de que a Crise financeira que se instalava no país era fruto da incompetência administrativa da então Presidenta.

Muitas manifestações de grupos que exigiam o impeachment tinham como principais queixas os valores dos combustíveis, onde movimentos dos caminhoneiros trancaram inúmeras rodovias no país. A qualidade na educação, saúde e outros temas foram amplamente questionados durante o processo que tramitava nas casas legislativas do país.

Dito isso, a consequência todos acompanham após Michel Temer assumir a presidência. Os escândalos de corrupção cotidianamente surgem através de gravações, malas de dinheiro, delações que envolvem diretamente o presidente e seus colaboradores. No entanto, as manifestações contra corrupção estranhamente desapareceram do país.

Discorri este pequeno histórico do processo para que possamos fazer uma pequena reflexão, um pouco mais aprofundada, do que realmente está em jogo e quais os reflexos para os municípios, principalmente os de pequeno e médio porte, como o nosso.

Segundo a Confederação Nacional dos Municípios –CNM- 63% dos municípios fecharam no vermelho em 2017, principalmente pelo encolhimento dos repasses de recursos da União. Isso é reflexo de vários fatores mas, fundamentalmente, reflexo da PEC 241 (55), conhecida como “PEC do Teto dos Gastos Públicos” que congelou por 20 anos os investimentos em questões básicas como saúde, educação, segurança, agricultura, etc.

Em SAP, além de um problema histórico na gestão do Hospital, nota-se a dificuldade com a gestão da saúde pública, atrasos na oferta de medicamentos, problemas no transporte de pacientes que fez com que a administração mudasse o sistema.

Na educação, programas como o Mais Educação, que oportunizavam o fortalecimento da aprendizagem em turno integral, praticamente deixaram de ser ofertados nas redes municipal e estadual.

O que mais chama atenção é no que se refere a dinamização econômica que o salário mínimo deixou de representar na economia local. Em 2017, foram R$ 8,80 à menos que a previsão inicial que seria de R$ 945,80, ficando em R$ 937,00. Já no ano de 2018, quando as projeções apontavam para um salário de R$ 979,00 concretizou-se um salário mínimo no valor de R$ 954,00. Superficialmente falando estes números parecem insignificantes, mas quando numa análise mais profunda demonstram o impacto na nossa economia.

Numa conta bastante simples, calculando apenas os benefícios previdenciários, atribuídos ao nosso município, usando os dados do DATAPREV temos cerca de 13.000 segurados em benefício junto ao INSS que recebem 01 salário mínimo mensal.

Se somarmos os valores que deixaram de agregar ao salário mínimo nos anos de 2017 e 2018 (R$ 8,80 + R$ 25,00= R$ 33,80) e multiplicarmos ao número de beneficiários (R$ 33,80 X 13.000 = R$ 439.400,00 mensais) e multiplicarmos este valo por 12 meses chegaremos a quantia de CINCO MILHÕES, DUZENTOS E SETENTA E DOIS MIL E OITOCENTOS REAIS (R$ 5.272.800,00). Este valor deixou de aquecer o comércio local, consequentemente, menos negócios, menos impostos, menos geração de empregos, etc.

Por outro lado, reforça-se a ideia de alimentar os “currais eleitorais” através das emendas parlamentares. Nos últimos dois anos, principalmente, este mecanismo constitucional, vem sendo vendido, justificado pela “crise financeira” como a salvação. São anunciadas com grande pompa pela mídia tradicional, no entanto, algumas vezes acabam não se concretizando, mas que servem como uma “compra de votos institucionalizada”.

Questões elementares e que precisam ser feitas é que se há crise financeira e arrochamento nos repasses públicos como há recursos para emendas parlamentares? Como perdoar dívidas de setores da economia que tem o maior lucro da história, como os bancos?  Como perdoar dívidas bilionárias de previdência, quando se fala em déficit no setor?

Os reflexos do “Golpe político midiático” foram enormes em nossos municípios, alguns ainda nem sentidos de fato, como por exemplo a “Reforma Trabalhista”, a investida do privado sobre a previdência pública, as “reformas do ensino médio”, etc.

O fato é que precisamos aprofundar muitas questões locais, pois infelizmente elas não são desatreladas do contexto nacional. E para fazermos esta discussão precisamos ser racionais, politizados e desapegados das paixões partidárias e principalmente entender um conceito básico : Conceito de classe, antes mesmo de compreendermos conceitos econômicos.

Vamos lá começar a entender? Vai a primeira pergunta: Quem mais sofreu e irá sofrer com o “Golpe político midiático”?

Texto: Samuel Santos
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“A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”

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Por Samuel Santos

Quando Marx escreve que “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”, mesmo a mais de 100 anos, consegue prever que a dominação apenas muda a roupagem e o método, mas os dominados tem probabilidade maior de continuarem sendo dominados.

Fonte: Internet

A Mídia como ferramenta de dominação só é possível com a falta de consciência, de conhecimento, frutos de uma educação tecnicista de um projeto colonialista e dominante.

Quando era só rádio e televisão a barbárie da bestialidade não se acentuava, pois faltava um elemento para completar o ciclo: conexão.

As “redes sociais” trouxeram, para um povo historicamente dominado, colonizado, sem instrução, o fio condutor para levá-los a sua decadência social.

No “brazil” mais moderno, a tragédia social, embora renegada por parte da sociedade, eclodiu em 1964, pela força. Hoje, se dá pela farsa.

A bestialidade é tamanha que o sentimento de frustração dos dominados se transforma em sentimento de prazer numa rede social. Aquele que nunca conseguiu chegar a graduação, barrado pelo projeto dominante, assume numa rede social o papel de advogado, mesmo sem nunca ler uma constituição a que está submetido. Como argumento definitivo de acusação e defesa simultâneo, encena um professor na correção ortográfica do opositor. Nunca surgiram tantos “médicos patologistas” diagnosticando “esquerdopatas”. Nunca tivemos tantos “cristãos” querendo fazer parte do pelotão de fuzilamento….e por aí vai…

Na nossa época, segundo Marx, estamos vivendo o período da farsa. Justiça finge que julga. Políticos na sua maioria fingem que representam o povo. A mídia finge que é imparcial. Fingimos que “temos muitos amigos virtuais”….

E qual a tragédia atual? Estamos fingindo que isso tudo vai passar. Que vamos “bloquear” tudo, assim como bloqueio o que não me convém na timeline. Tragédia é achar que fazer campanha em rede social contra netflix resolverá… Tragédia é achar que escrever “textão”, como este, e publicar em rede social, achando que vai fazer conscientização.

Eis, que entendamos que a vida real, dos proletários, dos trabalhadores e das trabalhadoras não é substituída pela ficção; que a luta se dá no campo de batalha e não na “rede”; que a organização precisa de “cheiro de povo”, ” chão de fábrica e “cheiro de campo”, ou continuaremos coniventes com esta tragédia social que vivemos.

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