Opiniões, debates e posições. Direto da terra dos sonhos…e da rapadura

Arquivo do mês: outubro 2015

Série ‘Era das Utopias’- 01. Novas Utopias – O Futuro Nos Espera

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“O que nós queremos de fato é que as idéias voltem a ser perigosas” – Escrito num muro de Paris, 1964

O Manifesto Rapadura à partir de hoje vai reproduzir a ‘Era das Utopias’. Trata-se de uma minissérie de seis episódios divididos em três temas: ‘Utopia Socialista’, ‘Utopia Capitalista’ e ‘Novas Utopias’.

‘Qual sua utopia?’ é a pergunta que vai guiar a nova minissérie da TV Brasil, dirigida pelo cineasta Silvio Tendler.

“O que nós queremos de fato é que as idéias voltem a ser perigosas” – Escrito num muro de Paris, 1964

Comentários TV Brasil: Utopia. O substantivo vem das palavras gregas ou e topos, que significam sem lugar. Refere-se a um lugar ou posição ideal, ainda não atingido.
Sonho impossível de realizar.
Ideal inatingível.

“Eu sempre trabalhei muito na questão das ideologias. São vinte anos de pesquisa em torno destas questões ideológicas que pautaram minha geração” – Silvio Tendler

A utopia pela igualdade entre os homens inspirou gerações. O mundo soviético inspirou os sonhadores. Com o fim da II Guerra Mundial, os Estados Unidos são a potência emergente. O american way of life passa a ser o modelo de civilização, quase uma norma. O mundo assiste a um confronto cultural, social, religioso, político e ideológico.

Os primeiros capítulos tratam do surgimento da utopia socialista e todas as suas conseqüências durante o século XX. Já os capítulos referentes à utopia capitalista mostrarão a derrocada do Socialismo com a queda do muro de Berlim, em 1989; os desdobramentos gerados e, tantos outros fatos que nos levaram às novas utopias, derivadas do conflito entre novas tecnologias e velhas mazelas. Para Tendler, a luta das atuais gerações é a preservação do planeta. “Salvar o planeta dos danos causados pela utopia capitalista e pela utopia comunista é a nova utopia”, afirma o diretor.

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7 erros que você comete quando fala em Comunismo e Capitalismo

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Por que você está equivocado sobre o comunismo: 7 grandes erros que as pessoas cometem sobre ele –e sobre o capitalismo

7 erros comunismo capitalismo
Do Pragmatismo Politico

Por Jesse Myerson, em Salon Tradução e adaptação:Cynara Menezes

1. Somente as economias comunistas se apoiam em violência de Estado.

Obviamente, nenhum ricaço quer abrir mão de parte de sua fortuna, e qualquer tentativa de obter justiça econômica (como os impostos sobre grandes fortunas) sofrerá uma oposição ferrenha das classes mais altas. Mas a violência estatal (como a tributação) é inerente a todo conjunto de direitos sobre a propriedade que um governo pode adotar –inclusive aqueles que permitiram ao hipotético barão amealhar sua fortuna.

No capitalismo, as reivindicações de propriedade autorizam o Estado a usar a violência para excluir todos, menos um reclamante. Se eu reivindico a mansão de alguém, por mais libertário que seja, ele vai recorrer ao governo e às suas armas para me colocar no devido lugar. Ele possui aquela mansão porque o Estado diz que possui e tentará prender qualquer um que discorde. Se não houver um Estado, quem tem o poder mais violento determina quem possui as coisas, seja a máfia ou um bando de cowboys no velho Oeste. Seja por vigilantes ou pelo Estado, os direitos de propriedade se apoiam em violência.

Isto é verdadeiro para objetos pessoais e para a propriedade privada, mas é importante não confundi-los. Propriedade implica em ter um título. Quando marxistas falam em propriedade coletiva de terras ou meios de produção, estamos no campo das propriedades; quando apresentadores da Fox falam em confiscar minha gravata, estamos no campo dos objetos pessoais. O comunismo necessariamente distribui a propriedade universalmente, mas não quer tomar seu smartphone, falou?

2. As economias capitalistas são baseadas em livre comércio.

O oposto do mito do “comunismo opressivo” é o “capitalismo libertador”. A ideia de que todos estamos fazendo escolhas livres todo o tempo é claramente desmentida pela experiência de centenas de milhões de pessoas. A maioria de nós nos encontramos atrelados às pressões da competição. Estamos estressados, exaustos, sozinhos, em busca de significado para a vida –como se não estivéssemos no controle dela.

E não estamos; o mercado está. Se você não concorda, tente deixar “o mercado”.A origem do capitalismo foi tirar de camponeses britânicos o acesso à terra e com isso seus meios de subsistência, fazendo-os dependentes do mercado para sobreviver. Uma vez sem propriedades, eles eram forçados a tomar o rumo da sujeira, bebida e doenças das cidades rodeadas de miséria para vender a única coisa que tinham –sua capacidade de usar cérebros e músculos para trabalhar –ou morrer. Como eles, a maioria das pessoas hoje é privada dos recursos que necessitam para prosperar, apesar de eles existirem em abundância, e é forçada a trabalhar para um chefe que está tentando ficar rico nos pagando menos e nos fazendo trabalhar mais.

Mas mesmo este chefe (o aparente vencedor no “livre mercado”) não é livre: o mercado impõe à classe proprietária o imperativo de acumular riqueza incansavelmente ou então fracassar. Os capitalistas são compelidos a apoiar regimes opressores e a arruinar o planeta por uma questão de negócios.

O tipo particular de capitalismo dos EUA demandou exterminar todo um continente de povos indígenas e escravizar milhões de africanos sequestrados. E toda a indústria capitalista só foi possível porque mulheres brancas, consideradas propriedades de seus pais e maridos, estiveram dedicadas ao papel invisível de criar filhos e arrumar a casa sem remuneração. Três brindes ao livre comércio.

3. O comunismo matou 110 milhões* de pessoas por resistir ao fim da propriedade privada.

*Este número é um total chute

Greg Gutfeld, um dos apresentadores da Fox News, recentemente disse que “somente a ameaça de morte pode sustentar o sonho de esquerda, porque ninguém em sã consciência se alistaria voluntariamente em uma porcaria dessas. Portanto, 110 milhões de mortos”.  Ao dizer isso, Gutfeld e sua laia insultam o sofrimento de milhões de pessoas que morreram sob Stalin, Mao e outros ditadores comunistas do século 20. Pegar um número grande de mortos e atribuir suas mortes a algum abstrato “comunismo” não é uma maneira de mostrar preocupação humanista com vítimas de atentados aos direitos humanos.

Uma grande parcela das pessoas que morreram sob o comunismo soviético não eram os kulaks (camponeses ricos) com quem a direita quer se preocupar, maseram, eles mesmos, comunistas. Stalin, na sua crueldade paranoica, não somente executou líderes revolucionários russos, mas também exterminou partidos comunistas inteiros. Estas pessoas não estavam resistindo a ter sua propriedade coletivizada; eles estavam comprometidos com a coletivização de propriedades. Também é bom lembrar que os soviéticos tiveram que lutar uma guerra revolucionária –contra, entre outros, os EUA– que, como a revolução americana mostra, não se consiste majoritariamente em abraços grupais. Eles também enfrentaram (e historicamente derrotaram) os nazistas, que não estavam do outro lado do oceano, mas bem à sua porta.

Chega de URSS. O episódio mais horrível no comunismo oficial do século 20 foi aGrande Fome Chinesa, cujas mortes são difíceis de precisar, mas certamente foram dezenas de milhões. Muitos fatores evidentemente contribuíram para esta atrocidade, mas o principal foi o “Grande Salto Adiante” de Mao, uma combinação desastrosa de pseudociência aplicada e perseguição política pensada para transformar a China em uma superpotência industrial num piscar de olhos. Os resultados da experiência foram extremamente cruéis, mas dizer que as vítimas morreram porque, em são consciência, não quiseram ser voluntários de um “sonho de esquerda” é ridículo. A fome não é um problema unicamente da esquerda.

4. Governos capitalistas não cometem atentados aos direitos humanos.

Seja qual for a avaliação dos crimes cometidos pelos líderes comunistas, não é esperto por parte dos fãs do capitalismo brincar de contar corpos, porque se pessoas como eu têm de explicar os gulags e a Campanha das Quatro Pragas, eles precisam explicar o comércio de escravos, o extermínio indígena, os holocaustos do fim da era vitoriana e toda guerra, genocídio e massacres promovidos pelos EUA no esforço de combater o comunismo. Já que os pró-capitalistas se preocupam tão profundamente com o sofrimento das massas russas e chinesas, talvez queiram explicar os milhões de mortes resultantes da transição destes países ao capitalismo.

Deveria ser fácil perceber que o capitalismo, que glorifica o rápido crescimento em meio à competição cruel, iria produzir grandes atos de violência e privação, mas de alguma forma seus defensores estão convencidos de que ele é sempre, e em toda parte, uma força impulsionadora da justiça e da liberdade. Deixe-os convencer as dezenas de milhões de pessoas que morrem de desnutrição todo ano porque o livre mercado é incapaz de solucionar uma situação em que metade da comida do mundo é jogada fora.

As 100 milhões de mortes que talvez sejam mais importantes de enfocar agora são aquelas que a organização de direitos humanos DARA projeta que irão ocorrer por causa do clima entre 2012 e 2030. Outras 100 milhões de pessoas mais irão se seguir a estas e não vão levar 18 anos para morrer. Fome como a espécie humana nunca viu está nos rondando, porque o livre mercado não regula o carbono e as empresas capitalistas de petróleo, desde o colapso da URSS, se tornaramsoberanas. Os mais virulentos anti-comunistas têm uma forma muito útil, embora moralmente vergonhosa, de tratar esse evento de extinção em massa: eles negam que esteja acontecendo.

5. O comunismo americano do século 21 iria se assemelhar aos horrores soviéticos e chineses.

Antes de suas revoluções, a Rússia e a China eram sociedades agrícolas pré-industriais, com maioria analfabeta, e cujas massas eram camponeses espalhados sobre enormes vastidões de terra. Nos EUA de hoje, robôs fazem robôs, e menos de 2% da população trabalha na agricultura. Estes dois estados de coisas são enormemente díspares. A mera evocação do passado não tem valor como argumento sobre o futuro da economia americana.

Para mim, comunismo é uma aspiração, não algo imediatamente conquistável. Isto, como a democracia e o libertarianismo, é utópico porque envolve um ideal, neste caso a não-propriedade de tudo e o tratamento de tudo –incluindo cultura, tempo das pessoas, o mero ato de cuidar, e coisas assim– de forma digna e intrinsecamente valorizada em vez de tratado como mercadorias que podem ser postas à venda. Etapas para esta condição não necessariamente incluem algo tão assustador quanto a completa e imediata abolição dos mercados (afinal, os mercados antecedem o capitalismo em vários milênios e comunistas adoram um bom mercado direto do produtor). Pelo contrário, eu defendo que podem até incluir reformas com o apoio obtido entre partidos divergentes ideologicamente.

Dados os avanços tecnológicos, materiais e sociais do último século, nós podemos esperar uma aproximação ao comunismo, aqui e agora, muito mais aberta, humana, democrática, participativa e igualitária do que as tentativas da Rússia e da China. Acho até que seria mais fácil atualmente do que antes construir o conjunto de relações sociais baseado em companheirismo e ajuda mútua (à diferença do capitalismo, que se caracteriza por competição e exclusão) que seria necessário para permitir o eventual “definhamento do Estado” que os libertários fetichizam, mas sem reproduzir a Idade Média (só que desta vez com drones e metadados).

6. O comunismo promove a uniformização.

Aparentemente, um monte de gente é incapaz de distinguir igualdade de homogeneidade. Talvez isso derive da tendência das pessoas em sociedades capitalistas de se enxergar primordialmente como consumidores: a fantasia distópica é um supermercado onde uma marca de comida fabricada pelo Estado está em todos os itens, e todos eles possuem embalagens vermelhas e letras amarelas.

Mas as pessoas fazem muito mais do que consumir. Uma coisa que fazemos enormemente é trabalhar (ou, para milhões de americanos desempregados, tentar e não conseguir). O comunismo prevê um tempo além do trabalho onde as pessoas são livres, como escreveu Marx, “para fazer uma coisa hoje e outra amanhã, caçar de manhã, pescar à tarde, cuidar do gado à noitinha, criticar depois do jantar… Sem nunca se tornar caçador, pescador pastor ou crítico”.  Deste modo, o comunismo é baseado no oposto da uniformização: uma diversidade enorme não só entre as pessoas, mas até na “ocupação” de uma única pessoa.

Muitos grandes artistas e escritores que foram marxistas sugerem que a produção de cultura em uma sociedade como essa poderia alimentar uma tremenda individualidade e oferecer formas de expressão superiores. Estes artistas e escritores pensavam o comunismo como “uma associação em que o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos”, mas você pode querer considerá-lo como uma instância real do acesso universal à vida, à liberdade e à busca da felicidade.

Você nem vai ligar para os pacotes vermelhos com letras amarelas!

7. O capitalismo promove a individualidade.

Em vez de permitir a todas as pessoas seguir seu espírito empreendedor em busca de desafios que os realizem, o capitalismo aplaude o pequeno número de empresários que conquistam largas fatias dos mercados de massa. Isto requer produzir coisas em escala, o que induz a uma dupla uniformização da sociedade: toneladas e toneladas de pessoas que compram os mesmos produtos e toneladas e toneladas de pessoas que fazem o mesmo trabalho. Uma individualidade que viceja dentro deste sistema é muitas vezes extremamente superficial.

Você já viu os condomínios que se constroem no país? Viu os cubículos cinza, banhados em luz fluorescente, em prédios de escritório tão semelhantes entre si que deixam a gente desorientado? Já viram as lojinhas e as áreas de serviço e os seriados da TV? A possibilidade de adquirir produtos de firmas capitalistas concorrentes não produziu uma sociedade interessante e variada.

Em realidade, a maior parte da arte aparecida sob o capitalismo veio de gente que foi oprimida e marginalizada (exemplos: blues, jazz, rock & roll e hip-hop). E então, graças ao capitalismo, é homogeneizada, comercializada e explorada em todo o seu valor por “empreendedores” sentados no topo da pilha, acariciando a pança e admirando a si mesmos por fazer todos abaixo deles acreditarem que somos livres.

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“Transgênicos não são alimentos, e sim mercadorias”, aponta médico argentino

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facebooktwitter29/10/2015

Da Redação

O médico argentino e membro da Rede Popular de Médicos da Argentina, Javier Balbea, esteve no Brasil para participar do seminário “A realidade dos agrotóxicos e transgênicos no Brasil e seus impactos sobre a saúde humana e ambiente”, que ocorreu durante Feira Nacional da Reforma Agrária, em São Paulo, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Em entrevista ao Saúde Popular, Balbea critica o uso dos transgênicos e agrotóxicos, pois acredita que eles são uma tecnologia que serve ao propósito de dominar os territórios dos países produtores.

Para o médico, o ato de comer e produzir alimentos está ligado diretamente à cultura dos povos, e isso está sendo ameaçado. “A produção transgênica é de mercadoria, não de alimentos. Isso vai na contramão da cultura dos povos”.

Confira abaixo a entrevista de Javier Balbea ao Saúde Popular:

– Qual o propósito de uma tecnologia como os transgênicos?

As tecnologias não são neutras. Elas são instrumentos políticos e algumas servem a determinados poderes para implementar determinadas ações.

Se uma tecnologia tem apoio de toda a indústria, vai ser criado um processo de legitimação social para que as pessoas a aceitem.

No caso dos transgênicos, eles servem para a dominação de alguns territórios pela produção de commodities [produtos primários] a favor do capital.

– Você disse que comer é um ato cultural. Como os transgênicos mudam nossa forma de comer e produzir?

O alimento é muito mais que nutrientes. Às vezes, comemos sem ter fome, por uma relação social que se estabelece ao redor de produzir e preparar os alimentos.

Quando deixamos de produzir alimentos e passamos aos produtos transgênicos, que são mercadorias, não existe essa relação, porque é uma produção que vai na contramão da cultura dos povos.

Na Argentina, por exemplo, não temos a cultura de comer soja, mas temos uma expansão da fronteira agrícola baseada no cultivo de soja. No Brasil é o mesmo. É uma produção feita, especialmente, para a exportação, que atende ao interesse de outras nações.

Além disso, vários estudos mostraram que ingerir produtos transgênicos gera doenças, como mudanças no tubo digestivo, além da química associada ao produto geneticamente modificado: não há transgênico que não tenha em sua composição agrotóxicos.

– Por que países como Brasil e Argentina continuam a usar agrotóxicos comprovadamente perigosos, que foram banidos em outros países?

Esses países, principalmente na Europa, decidiram por pressões populares e outros motivos que esses venenos causam danos à saúde. Mas em países como Brasil e Argentina, onde é mais fácil manipular a política, o uso continua.

São países que não são verdadeiramente soberanos, não podem articular suas próprias políticas; eles respondem às políticas que se desenvolvem nos países capitalistas centrais. Dependem dessa economia que se decide em outro lugar e é aplicada nos seus territórios. Há uma liberdade e impunidade que permite atravessar o direito dos povos.

Debate Javier
Balbea participou de seminário durante a Feira Nacional da Reforma Agrária, que ocorreu entre os dias 22 e 25 de outubro, na capital paulista. Foto: Alexandre Gonçalves

 

– Por que há um silêncio da comunidade científica sobre muitas denúncias e questionamentos em relação aos transgênicos?

Acredito que por é falta de conhecimento, pelo tipo de formação que existe, que naturaliza essas tecnologias como algo indispensável para a economia e a sociedade.

É o paradigma de que a economia pesa mais que a vida. Toda nossa vida passa pelo consumo. O econômico tem um valor que está acima de qualquer outro direito, é a forma de funcionar da sociedade.

E quando se pensa que não há alternativa, é uma vitória para essa forma de pensar dominante, que não nos deixa acreditar que há formas de produzir sustentáveis e que a saúde é algo utópico.

Mas, cada vez mais, o debate se vai dando de forma maior, em lugares mais importantes. O acúmulo de informação e o mal estar social que vai se gerando através desse tema já não permite que alguns olhem para o outro lado [e ignorem o assunto].

– E como a rede de médicos da Argentina contribui para esse debate?

Quando os cientistas vão contra os interesses da indústria, eles são perseguidos, deixados de lado de cargos e carreiras, apenas por publicar o que acreditam ser correto.

É preciso ter um espaço onde os médicos, os profissionais da saúde e outras disciplinas se sintam seguros de poder investigar e compartilhar a informação.

Já realizamos três congressos de saúde ambiental, com pessoas que participaram de discussões sobre transgênicos, agrotóxicos, de modelos produtivos diferentes.

Esse processo criou uma união de cientistas comprometidos com a saúde e a natureza da América Latina. A rede tem sido um espaço que permite criar e contestar, sem que essas pessoas se sintam perseguidas pela indústria, tenham apoio e espaço para pensar outra ciência que esteja a favor dos interesses do povo.

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Rememoria- Livros: Interpretações e significados do poder

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Faça do livro seu farol, do conhecimento adquirido sua trilha e assim poderás escolher com segurança a estrada a percorrer.”

Hoje, 29, Dia Nacional do Livro, fui buscar nos arquivos do Manifesto Rapadura um artigo que fala da importância da leitura. A época, em 2012, relacionei, pelas circunstâncias, acontecimentos daquele período, mas que ao rememorar, avalio que são bastante atuais. Boa leitura e boas reflexões!

Escrito em 26/09/2012- Por Samuel Santos

“Na crônica semanal para o blog Manifesto Rapadura optei por abordar um tema importante: O livro. Mesmo não sendo lembrada e dada a devida relevância, ao menos aqui em Santo Antônio da Patrulha, vivemos a Semana Internacional do Livro. Um momento tão importante quanto outros tantos como, por exemplo, a Semana Farroupilha comemorada à poucos dias. Cada uma das citadas semanas possui seus fatores motivacionais, vieses e  grau de importância no contexto social. Claro, aqui para nós gaúchos, dentro do nosso bairrismo insurgente, a questão Farroupilha faz enaltecer nossos brios.  A história da “revolução” farroupilha na maioria dos livros é contada pela metade ou apenas a verdade que interessa para alguns.

Calma, que fique bem claro, não sou contra as comemorações da semana farroupilha, tão pouco contra o tradicionalismo. Ressalto a importância destes movimentos. Apenas usei deste contexto para ressaltar que histórias podem ser contadas, nos livros e outros meios, com “meias verdades”, ou apenas sob a ótica dos “vencedores”. Mas não é foco neste espaço abordar a  Revolução Farroupilha como uma verdadeira revolução. Quero aqui problematizar sobre a importância dos livros na nossa formação cidadã, já que vivemos num contexto onde a detenção e o acumulo do conhecimento é sinônimo de poder.

Para falar de conhecimento em especial da importância do livro teríamos que nos remotar à escrita cuneiforme feita pelos assírios e babilônios e ao Código de Hamurabi (conjunto de leis transcrito em 1694 a.C.). Também nos reportarmos(ler), segundo alguns, ao primeiro livro a ser configurado de tal forma  com tipos móveis, com capa e encadernado, publicado em 1454 na Alemanha: a Bíblia de 42 linhas de Gutenberg (1397 – 1468). Outros defendem que   a história do livro inicia-se na China. Afirmam que os chineses  teriam inventado um tipo móvel, 400 anos antes de Gutenberg, entre 1041 e 1049.  Pi Shêng seria o escritor que teria inventado o livro  utilizando argila cozida para fabricá-lo. Em qual destas verdades acreditamos?

Resolvi narrar um pouco desta história, que está nos livros, no entanto, controversa,  para que possamos entender que há diversas formas de se contar as “verdades”. E para além das diversas formas contadas, escritas e narradas, entre o livro e o leitor, existem os autores. Independente do conteúdo, romance, ficção, relato de uma história, o livro  relata nada mais do que o sentimento do autor e seu modo de ver e sentir sobre determinada situação, ação e reação em determinado espaço de tempo. Sabemos que todos possuímos nossos vínculos, nossas “afeições”, temos nossas preferências e ideologias. O autor de um livro, artigo, peça de teatro, tele novela, etc. transfere para sua criação aquilo que convém, ou seja, o que melhor se adéqua para ocasião, segundo sua “leitura de mundo”. Complexo não? (darei exemplo no próximo parágrafo).

O conhecimento, que pode ser transmitido de várias formas não só através da literatura, mas principalmente através dos livros, pode ter diversas formas de interpretação. O que dizer de Monteiro Lobato  tido como um dos “maiores escritores brasileiros”, estar sendo processado  por racismo em suas obras?(mais detalhes em Carta capital). Obras estas que fazem parte da formação infanto juvenil, pois estão no conteúdo do Programa Nacional Biblioteca da Escola, que distribui milhões de livros a escolas públicas. Será que as “Crianças e jovens que lêem “Caçadas de Pedrinho” ou outras obras lobatianas, tem a dimensão sobre as questões étnicas raciais? Leitores sentem-se ofendidos quando lêem as histórias do Sítio?”, diz Marisa Lajolo, professora da USP e especialista em Monteiro Lobato em entrevista a Revista Carta Capital. Aqui, mesmo controversa, sentimos que a literatura toca nos brios, cria tensões, inquietudes e moves com os seres da sua “zona de conforto”. Qual o seu sentimento ao ler que a “Tia Nastácia” é  retratada como “macaca de carvão” na obra de Lobato?

O livro, querendo ou não, para o bem ou para o mau, acaba diferenciando o senso das pessoas. Não se trata apenas de elevar o nível intelectual, mas sim de compreender a realidade, os entorno e as essências dos projetos de sociedade que a nós é imposto.

Vivemos tempos de efervescência das redes sociais aqui no Brasil onde vejo muitas pessoas “curtir” absurdos e compartilharem  coisas vazias, sem sentido algum. A grande maioria ocupa seu tempo com promiscuidades que pouco irá contribuir para sua formação. Dito isso, tive a oportunidade de fazer meu estágio em Desenvolvimento Rural na França. Tive vivencias com muitas famílias por lá. Constatei que na grande maioria possuíam bibliotecas particulares. Percebi que o tempo dedicado a TV, a internet, as redes sociais era restrito. Restrito não por imposição, mas por opção. O tempo era empregado em leitura. Continuo me comunicando com um amigo Frances chamado Didier Brosan e vejam o que ele me responde num email referente à um convite que eu fizera para as redes sociais:“J‘ai bien reçu tes propositions de Facebook et Linkelde mais je ne suis pas adepte des réseaux sociaux et ne souhaite pas y consacrer du temps”.Traduzindo: “Recebi suas propostas de LinkedIn e Facebook mas eu não sou um fã de redes sociais e não quero gastar tempo.”

Não percamos nosso tempo. E ao contrário do que muitos pensam a leitura não é necessidade apenas nos bancos escolares e nos meios acadêmicos. Assim como existem as controvérsias sobre a existência do livro, e acerca da sua “paternidade” a leitura nos instiga a questionar a “nossa existência” e o contexto de onde vivemos em fim tudo a nossa volta.

Precisamos compreender e conhecer todas as “faces da verdade”. Não podemos permitir a simplificação de nossa formação, nosso  conteúdo crítico apenas com “informações” à partir de veículos de imprensa. Não quero diminuir a importância de tais veículos, pois são importantes para que possamos contrapor nossas opiniões. Mas é inadmissível que exerçamos nossa cidadania baseados em visões pela metade, com fins comerciais, recheadas de má intenção, reduzindo e até mesmo omitindo as verdades.

Como já diz aquele velho dito popular: “podem me tirar tudo, mas não conseguirão tirar o meu conhecimento”. Então vamos fazer de cada dia, de cada semana, de cada tempo livre: “O dia do livro”,  “A semana da leitura”, “O tempo do conhecimento” e assim possamos contar as nossas próprias verdades.

Ler nos faz compreender o ponto onde estamos e como chegamos até ele. Ajuda-nos a construir o caminho por onde queremos seguir. Faz-nos questionar o caminho que os autores, através de suas obras, livros, revistas,  jornais, e TV’s insinuam como “luz a ser seguida”. Faça do livro seu farol, do conhecimento adquirido sua trilha e assim poderás escolher com segurança a estrada a percorrer.”

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NOTA OFICIAL – Sobre a Redação do Enem

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Por Secretaria Políticas para as Mulheres

Confraternizo com os responsáveis pelo ENEM de 2015 por apresentar como tema da redação que foi aplicada na tarde deste domingo (25/10) o debate sobre a violência.

Intitulado “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira” sem dúvida alguma fez com que 7.746.261 mil jovens – dos quais 4.458.265 (57,5%) são do sexo feminino – refletissem sobre esta epidemia da violência contra a mulher , reflexo de uma sociedade patriarcal e machista.

Ter este tema debatido no Enem – a segunda maior prova de acesso ao Ensino Superior do mundo, ficando atrás só de um realizado na China- é um avanço para toda a sociedade quebrar com a banalização da cultura da violência.

A construção de uma pátria educadora se faz a partir da discussão de questões que mudam mentalidades e com isso, provocam mudanças culturais e rompem paradigmas. A escolha deste tema, o levou para dentro de quase 8 milhões de famílias brasileiras. Isso é algo de fundamental importância.

Não tenho dúvida da enorme contribuição para a sociedade quando no ENEM um exemplo de excelência e qualidade abraça essa causa de tolerância zero com a violência. Com essa atitude de colocar o tema como redação , vimos reforçada a luta de 12 anos da Secretaria de Políticas para as Mulheres para a transversalidade das questões de gênero no governo federal.

Eleonora Menicucci – Secretária Especial de Políticas para as Mulheres do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.

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